sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

o nascimento da mai


Não sou culpada, gritou à criança, sou eu que sou o teu sonho, porque são as crianças que sonham as suas mães, elas sonham no seu claro líquido iridiscente, na sua água primitiva, e lentamente, pelo puro poder do seu sonho, vão construindo em volta o corpo de uma mãe, e a mãe vai crescendo alimentada pelo sonho, ate que a criança a empurra, a separa de si e a atira para fora e ela é uma pequena mãe nascendo, exausta, desamparada, oscilante, deitada sobre o mundo



(Teolinda Gersão. Paisagem com mulher e mar ao fundo. Lisboa: O Jornal, 1982. p. 19-20.)



(e lembrei-me da obra Eu tamén son fonte, de Teresa Moure, e com essa lembrança viriam as ilustrações de Leandro Lamas, e peguei uma mostra para que fique aqui)

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

listagens

1. assim... assim vai ir passando a vida, fazendo longas listagens de tudo canto debe acontecer em cada um dos meus dias.
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2. não posso saltar uma linha arriba, uma linha abaixo. não posso e não fago caso.
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5. sem voltar atrás, não fago caso. correndo cara diante, chimpando nas obrigas da caneta. não fago caso.
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8. listagens de tudo eu com tudo meu em elas.

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