Não sou culpada, gritou à criança, sou eu que sou o teu sonho, porque são as crianças que sonham as suas mães, elas sonham no seu claro líquido iridiscente, na sua água primitiva, e lentamente, pelo puro poder do seu sonho, vão construindo em volta o corpo de uma mãe, e a mãe vai crescendo alimentada pelo sonho, ate que a criança a empurra, a separa de si e a atira para fora e ela é uma pequena mãe nascendo, exausta, desamparada, oscilante, deitada sobre o mundo
(Teolinda Gersão. Paisagem com mulher e mar ao fundo. Lisboa: O Jornal, 1982. p. 19-20.)
(e lembrei-me da obra Eu tamén son fonte, de Teresa Moure, e com essa lembrança viriam as ilustrações de Leandro Lamas, e peguei uma mostra para que fique aqui)